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Desde 2020, a educação financeira para crianças faz parte da vida escolar, já que a Base Nacional Comum Curricular (BNCC) estabeleceu esse tema como direito de todos os estudantes da Educação Básica.
Como parte dos pilares da Conquista, esse assunto precisa ser tratado com atenção. A seguir, reunimos dicas de como famílias e escolas podem trabalhar o tema.
O que é educação financeira?
Podemos definir a educação financeira como uma área que ajuda as pessoas nas escolhas de consumo sustentável, decisões de investimentos, prevenção de situações problemáticas, avaliação de necessidade e desejo de consumo, e criação de poupança. Assim, ela pode ser entendida como um conjunto de habilidades que orientam a tomada de decisões.
Fernando Vargas, coordenador pedagógico da Conquista e especialista no tema, destaca que “o objetivo da educação financeira não é guardar ou ganhar muito dinheiro, muito menos alimentar princípios distorcidos, como ter dinheiro a qualquer custo, e sim desenvolver práticas sociais saudáveis. A educação financeira vem de encontro ao projeto de vida, para que a criança e o adolescente possam aprender sobre criatividade, empreendedorismo, o processo de mediação sociocultural e social, proporcionando a iniciação científica”.
Como pilar da Solução Educacional e parte da BNCC, esse tema começa a ser tratado desde a Educação Infantil nas escolas parceiras da Conquista.
Quais são os 4 pilares da educação financeira?
A educação financeira para crianças costuma se apoiar em quatro pilares:
- Ganhar: entender de onde vem o dinheiro e o valor do trabalho por trás dele;
- Gastar: aprender a diferenciar necessidade de desejo antes de consumir;
- Poupar: guardar parte do que recebe para objetivos de curto e médio prazo;
- Doar: reconhecer o valor de compartilhar e ajudar o próximo.
Esses pilares dialogam diretamente com atividades como o cofrinho das boas ações, que a Conquista já recomenda para as famílias, como você vai ver mais adiante.
Quais são os 3 tipos de educação financeira?
Além dos pilares, a educação financeira costuma se dividir em três tipos, que se complementam:
- Pessoal: organização do próprio dinheiro, gastos e poupança;
- Familiar: planejamento do orçamento e das decisões financeiras da casa;
- Social: compreensão de como o consumo individual impacta a comunidade e o meio ambiente.
Para crianças, os três tipos aparecem juntos: ao entender o próprio dinheiro, elas também aprendem sobre o orçamento da família e o impacto das escolhas de consumo.
Qual a importância da educação financeira para crianças?
Uma pesquisa da Serasa/Opinion Box aponta que, embora 85% dos pais ensinem aos filhos como é importante saber lidar com o dinheiro, 67% deles admitem que já tiveram o nome sujo e 66%, que já deixaram contas em atraso.
Cerca de 50% dos pais e mães disseram que fazem um planejamento financeiro com frequência, comparando gastos e renda.
Para Fernando, esse tipo de comportamento não decorre da falta de conhecimento ou responsabilidade, mas tem raízes mais profundas. O especialista lembra, por exemplo, que boa parte da geração atual de pais e mães cresceu nos anos de 1970 e 1980, época de instabilidade econômica no país.
“Desde a Independência do Brasil, em 1822, tivemos nove moedas diferentes. Essa geração vem de um contexto de hiperinflação e de moedas que se desvalorizavam e eram trocadas de tempos em tempos. Isso, em muitos casos, não permitiu que desenvolvessem o pensamento de um projeto de vida de curto, médio e longo prazo”, explica.
Na vida adulta, essas pessoas precisam aprender a lidar com as próprias finanças, o que nem sempre é simples.
Como a família pode ensinar sobre educação financeira?
Já foi comprovado por pesquisas que as crianças aprendem muito por meio do exemplo e da prática dos conhecimentos que são passados a elas. O coordenador pedagógico da Conquista afirma que com o dinheiro não é diferente. “A educação financeira é uma prática social para o desenvolvimento do ser humano e não se restringe apenas à escola”, diz.
O exemplo se dá na prática, e pode ser observado pelas crianças desde muito cedo. Conforme cada faixa etária, os pais ou familiares podem envolver os filhos nas conversas e decisões da família, tornando-os protagonistas e não apenas espectadores do assunto.
Quer saber como transformar isso em prática? Confira algumas dicas:
1. Cofrinho das boas ações
O tema é comumente relacionado a uma semanada ou mesada que a criança venha a receber no futuro, ou seja, associado ao dinheiro propriamente dito. Mas a Educação Financeira é muito mais ampla que isso.
A atividade do cofrinho das boas ações pode ser feita com crianças pequenas, a partir dos 3 anos.
Com o cofrinho, as crianças vão trabalhar atitudes de cooperação, solidariedade, organização e consumo consciente. A atividade consiste em, com a criança, criar moedas, personalizando atitudes que a família considera importante. Quando a criança fizer uma boa ação, deve guardar a moeda correspondente no cofrinho.
Ao final de um período, como uma semana ou 15 dias, a família esvazia o cofrinho e relembra as boas ações que estavam ali guardadas. Para comemorar, pode-se oferecer uma brincadeira ou um passeio diferente, que não envolvam prêmios materiais, uma vez que a ideia da proposta é a criança valorizar atitudes positivas.
Com o passar do tempo e o desenvolvimento da criança, o cofrinho pode ser usado para guardar moedas e cédulas de dinheiro. Para essa fase, Fernando usa o exemplo da conta de água. Os pais podem explicar para a criança que a conta veio alta e combinar uma forma de economizar nos próximos meses. “Essa economia pode entrar no cofrinho das boas ações. Com esse dinheiro, a família pode ir ao parque, planejar uma viagem”, destaca.
O coordenador ainda ressalta que essas atividades não envolvem barganha ou moedas de trocas, mas são uma forma de materializar a educação financeira, ensinando à criança que o dinheiro não nasce em árvore.
2. Responsabilidade com as tarefas da casa
Crianças maiores e adolescentes podem assumir algumas tarefas em casa e ser remuneradas por elas. Esse exercício ensina o valor do trabalho. O adolescente se torna protagonista de suas ações e decisões e aprende a diferença entre preço e valor. Mas, mais uma vez, essa recompensa não pode se tornar uma barganha entre pais e filhos.
Essa prática importa porque aproxima a criança da rotina real de trabalho: existe um esforço, um combinado prévio e uma recompensa proporcional. Para aplicar com segurança, escolha tarefas compatíveis com a idade, defina o valor antes de começar e mantenha tarefas básicas de convivência (como arrumar a própria cama) fora da remuneração, já que fazem parte da vida em família, não são um serviço prestado.
3. Mesada
Outra dica para aplicar em casa é a mesada. A partir dos seis anos de idade, as crianças podem começar a receber um valor semanal ou mensal. A mesada é importante porque dá à criança um valor fixo para administrar, com liberdade para acertar e errar em pequena escala, o que é mais seguro do que aprender só na vida adulta.
Para aplicar com segurança, comece com um valor baixo e compatível com a idade, defina previamente se ele cobre apenas lazer ou também pequenas despesas, e evite repor o valor gasto antes do prazo combinado. Deixar a criança lidar com a falta de dinheiro até a próxima mesada é parte do aprendizado.
Para saber mais clique aqui e leia um texto sobre o assunto.
Por que trabalhar esse tema na escola?
Em paralelo com os exemplos e atividades em família, a escola também vai trabalhar a educação financeira, tema transversal proposto pela BNCC. Isso significa que todos os componentes curriculares precisam, de alguma forma, abordar conceitos e práticas relacionados à educação financeira.
A Conquista tem pilares e, entre eles, aeducação financeira, os quais preparam o aluno para a vida adulta, independentemente da carreira ou curso que ele seguir. Em conjunto com o pilar empreendedorismo, o material convida os alunos a serem autônomos e independentes, identificando as oportunidades para serem protagonistas em sua história profissional.
Com os livros de gestão financeira, os alunos se tornam aptos a fazer boas escolhas financeiras e de gestão pessoal, familiar e de recursos no futuro.
“Por meio das atividades propostas, oportunizamos aos alunos e a suas famílias que percebam a diferença entre aquilo que querem e aquilo de que precisam. Entre uma atividade e outra, percebemos o quanto a criança vai estabelecendo sua relação com o consumo e o quanto a escola e a família vão encontrando diferentes formas de enxergar mais além, com um novo olhar para o próximo e o devido cuidado com aqueles que precisam resgatar todos os seus direitos de infância”, conclui o coordenador pedagógico.
5 dicas de educação financeira para crianças
Colocar a educação financeira em prática exige repetição e paciência. Reunimos 5 dicas que ajudam a aplicar o tema no dia a dia, com o porquê de cada uma funcionar.
1. Envolva a criança nas decisões de compra da família no
Antes de ir ao mercado ou fechar uma compra maior, chame a criança para a conversa. Pergunte o que ela acha necessário na lista e o que pode esperar. Esse exercício simples mostra que toda escolha de consumo envolve uma comparação, e não apenas o desejo do momento.
2. Deixe a criança participar do planejamento de um passeio
Envolva a criança em decisões como escolher entre dois passeios de preços diferentes ou definir quanto pode ser gasto em lanches durante uma viagem. Esse tipo de escolha ensina que todo orçamento tem limites, e que priorizar uma coisa significa abrir mão de outra.
3. Experimente o método 50-10-10-10-10
Uma forma prática de organizar a mesada ou o dinheiro recebido em casa é o método 50-10-10-10-10. A lógica é dividir cada valor recebido em cinco partes:
- 50% para gastos do dia a dia;
- 10% para poupança de curto prazo;
- 10% para um objetivo maior, de médio ou longo prazo;
- 10% para doações ou ações solidárias;
- 10% para investimentos, quando a idade e o contexto da família permitirem.
A divisão pode ser adaptada à realidade de cada família, mas o método ajuda a criança a visualizar, na prática, que o dinheiro tem destinos diferentes e que planejar é parte do processo.
4. Explique a diferença entre necessidade e desejo
Antes de uma compra, pergunte: “isso resolve um problema ou é uma vontade do momento?”. Repetir essa pergunta ao longo do tempo constrói um filtro natural na cabeça da criança, que passa a fazer essa avaliação sozinha, sem precisar ser lembrada.
5. Estabeleça metas de curto prazo nova
Escolha, junto com a criança, um objetivo alcançável em poucas semanas, como um brinquedo ou um livro. Acompanhar o progresso em um quadro ou desenho ajuda a criança a entender que juntar dinheiro é um processo, com começo, meio e fim visíveis.
Educação financeira: um hábito que se constrói junto
Trabalhar a educação financeira para crianças é unir exemplo em casa e conteúdo na escola em torno do mesmo objetivo: formar adultos mais conscientes sobre o próprio dinheiro. Pilares, tipos e métodos práticos, como o 50-10-10-10-10, ajudam a colocar a teoria em prática desde cedo.
A Conquista tem a educação financeira como um de seus pilares e leva o tema para a sala de aula desde a Educação Infantil. Se você quer conhecer melhor nossas soluções, assessorias e materiais didáticos, fale com um dos nossos especialistas.
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FAQ: Perguntas Frequentes sobre educação financeira para crianças
1. Quais são os 4 pilares da educação financeira?
Os quatro pilares da educação financeira são ganhar, gastar, poupar e doar. Juntos, eles ensinam a criança a entender de onde vem o dinheiro, como gastar com consciência, a importância de guardar parte do que recebe e o valor de compartilhar com o próximo.
2. Quais são 10 dicas de educação financeira para menores de idade?
Algumas dicas de educação financeira para menores de idade incluem envolver a criança nas decisões de compra, usar o cofrinho das boas ações, testar o método 50-10-10-10-10, explicar a diferença entre necessidade e desejo, e reforçar o exemplo dos adultos em casa. O importante é adaptar cada prática à idade da criança.
3. O que é o método 50-10-10-10-10?
O método 50-10-10-10-10 é uma forma de organizar o dinheiro recebido pela criança em cinco partes: 50% para gastos do dia a dia e 10% para cada uma destas finalidades: poupança de curto prazo, um objetivo maior, doações e investimentos. Ele ajuda a criança a visualizar, na prática, os diferentes destinos do dinheiro.
4. Quais são os 3 tipos de educação financeira?
Os três tipos de educação financeira são pessoal, familiar e social. A pessoal trata da organização do próprio dinheiro, a familiar do orçamento da casa, e a social do impacto do consumo na comunidade e no meio ambiente. Para crianças, os três costumam aparecer juntos no dia a dia.


