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Construir uma relação entre família e escola é um grande desafio para as instituições escolares. Muitas vezes pais e instituição têm interesses e necessidades diferentes, e, ao invés de trabalharem juntos, se afastam.
É muito comum delegar funções diferentes para a família e outras para a escola, na educação da criança, de forma a enxergá-las como elementos totalmente separados. Essa atitude tende a prejudicar o desenvolvimento da criança, uma vez que ela acaba perdendo o valor social e comunitário que nasce do encontro entre família e escola.
Neste texto vamos abordar formas e técnicas importantes para aproximar as duas instituições. A proposta é transformar a visão “separatista” em uma visão em que família e escola são complementares e parceiras no processo de aprendizagem infantil.
Vamos juntos?
Ubuntu: é preciso uma aldeia inteira para educar uma criança
“Ubuntu” é um conhecido provérbio africano. Ele representa o resumo do que significa educar uma criança, uma vez que todo ser humano cresce em comunidade e são muitos fatores que se correlacionam para que esse processo seja bem-sucedido.
A aprendizagem da criança está diretamente relacionada à oferta de carinho e atenção, mas também de experiências. Sendo assim, a escola oferece uma rede plural de relações que ultrapassam o âmbito privado da família, já que ela passa a conviver com outros adultos e crianças diversas.
É claro que, muitas vezes, pais de alunos tem dificuldade em entender que o seu filho está em coletivo. Nessas situações, cabe à escola incentivar o diálogo e criar a ponte entre os pais, o filho e a comunidade escolar.
Ter a família presente na escola é incentivar o diálogo
Para melhorar essa relação, é preciso praticar a escuta ativa e identificar as questões propostas pela equipe escolar em relação aos pais. Responder a essas perguntas ajuda na criação de uma estratégia que funcione para a sua instituição, no trabalho de aproximação da família.
Antes de implementar ações práticas, fazer pesquisas direcionadas à equipe escolar é essencial. Ao utilizar essas perguntas, é possível identificar o que precisa ser melhorado para aproximar a escola da família.
Veja aqui algumas sugestões:
- Como os pais se expressam para os professores? (levando em conta tratamento, aconselhamento e conversas corriqueiras)
- Os pais e os responsáveis são bem recebidos em todas as circunstâncias? Se não, em quais momentos isso não acontece?
- Quais famílias causam maior resistência à equipe ou, até mesmo, irritação? Por que isso acontece?
No caminho, você pode reconhecer outras questões e acrescentá-las a esse questionário. A partir das respostas, é possível visualizar o cenário que será trabalhado.
Os três eixos da construção de relação entre família e escola
De acordo com o artigo chamado “Relação família-escola: em busca de um projeto de Educação Infantil democrático”, publicado no site da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), existem três eixos de trabalho essenciais que se intercruzam quando pensamos na construção da parceria entre família e escola, principalmente para a educação infantil, são eles:
1 – O eixo do acolhimento
Já ouviu aquela expressão “a primeira impressão é a que fica”? Esse eixo é exatamente sobre isso. O primeiro contato entre família e profissionais escolares é decisivo para construir um relacionamento.
Portanto, procure se mostrar aberto, pronto para receber o novo e escutar as demandas que chegam das famílias. Afinal, a criança está saindo de um ambiente conhecido e privado para explorar o novo, e os pais também estão apreensivos por essa mudança na vida dos filhos.
2 – O eixo da partilha
É importante incentivar que a escola é um lugar diverso. Julgamentos e discordâncias quanto a métodos de ensino acabam dificultando a relação com as famílias. É inevitável que eles tenham seus valores e percepções, mas o papel da escola é o de partilhar.
A família é responsável pela educação doméstica, a escola pela educação coletiva. Ambas podem até divergir, mas precisam caminhar juntas. Isso não quer dizer que uma deve concordar completamente com a outra, mas sim que é importante haver interação e a possibilidade de diálogo.
3 – O eixo de trabalho
O último eixo é sobre pensar ações práticas para promover a participação das famílias na vida escolar das crianças.
É importante deixar claro que essa relação é necessária para consolidar o projeto educativo porque relaciona as vivências da criança no âmbito familiar e no âmbito cultural.
Para isso a criação de atividades interativas e materiais específicos para a família podem ajudar nesse processo.
Um ponto importante a ser lembrado é que essas dinâmicas não podem parecer uma imposição sobre como os pais devem criar seus filhos e, sim, em tom de aconselhamento. O trabalho precisa demonstrar empatia e principalmente acolhimento.
Ações práticas para aproximar família e escola
Fortalecer a relação entre família e escola não depende de grandes eventos. São gestos constantes, ao longo do ano, que constroem confiança e mostram aos pais que eles são bem-vindos. Veja ações que funcionam no dia a dia, organizadas por momento:
No primeiro contato
- Acolha antes de informar: reserve um momento para receber os responsáveis com atenção antes de passar comunicados. O primeiro encontro define o tom de toda a relação.
- Escute antes de propor: pratique a escuta ativa e entenda as expectativas de cada família antes de sugerir mudanças na rotina da criança.
Na comunicação do dia a dia
- Comunique avanços, não só problemas: envie recados quando a criança evolui, e não apenas quando algo dá errado. Isso transforma a percepção que a família tem da escola.
- Fale em tom de convite: apresente as propostas como aconselhamento e parceria, nunca como cobrança sobre a forma de educar.
- Adapte canais e horários: ofereça reuniões em horários variados e use os canais que as famílias realmente acompanham, respeitando a rotina de cada uma.
Nos momentos coletivos
- Envolva a família em casa: proponha atividades e materiais que os pais possam fazer junto com a criança, reforçando o vínculo com o aprendizado.
- Aproveite datas e culminâncias: use festas, mostras e finalizações de projetos para trazer os pais à escola de forma leve e afetiva.
O tom faz toda a diferença: quanto mais a escola acolhe e escuta, mais a família participa. Uma solução educacional com material pronto para os responsáveis facilita muito esse caminho.
A solução Conquista oferece materiais para estimular a relação família e escola
Pensando nisso, nossa solução tem materiais específicos do Ensino Infantil ao Ensino Médio para estimular e desenvolver o relacionamento entre família e escola.
No Ensino Infantil, temos o Almanaque da Família. O livro traz atividades e informações importantes para estimular o interesse dos pais e responsáveis pela vida escolar da criança.
Também apresenta conteúdos voltados para os pais refletirem sobre a educação da criança. Como um pequeno manual, os responsáveis entendem mais sobre a importância de pequenas ações no dia a dia para melhorar o desenvolvimento da criança de forma efetiva.
No fim, família e escola não competem: elas se completam. Cada uma cuida de uma parte da formação da criança, e é no encontro entre as duas que nasce o senso de comunidade que sustenta a aprendizagem.
Quando a escola acolhe, escuta e oferece caminhos práticos, os pais deixam de ser espectadores e passam a ser parceiros. É assim que se constrói uma formação integral de verdade, dentro e fora da sala de aula.
Quer conhecer os materiais e as ações da Conquista para aproximar família e escola? Fale com os nossos consultores e conheça a nossa história.
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Perguntas Frequentes (FAQ)
O que falar sobre família e escola?
Ao falar sobre família e escola, o ponto central é a parceria: as duas instituições têm papéis diferentes, mas complementares, no desenvolvimento da criança. Vale destacar a importância do diálogo, do acolhimento e de ações práticas que aproximem os pais da rotina escolar, sempre com respeito às diferenças de cada família.
O que diz Piaget sobre família e escola?
Para Piaget, o desenvolvimento moral e cognitivo da criança acontece na interação com o meio social, e não por imposição. Relações baseadas em respeito mútuo e cooperação, tanto na família quanto na escola, ajudam a criança a evoluir da obediência à autoridade para a autonomia, quando passa a compreender e legitimar os próprios valores.
O que Vygotsky diz sobre a família e a escola?
Na perspectiva de Vygotsky, o aprendizado é construído socialmente, por meio da mediação de pessoas mais experientes. Família e escola atuam como mediadoras da cultura e do conhecimento, e a interação entre elas amplia as oportunidades de desenvolvimento da criança, dentro da chamada zona de desenvolvimento proximal.
O que Paulo Freire diz sobre família e escola?
Paulo Freire defende uma educação dialógica e democrática, aberta à realidade do estudante. Nessa visão, a escola não ensina de cima para baixo: ela também aprende na relação com a família e a comunidade, reconhecendo os saberes que a criança traz de casa e construindo o conhecimento em parceria.