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Sabe aquele desconforto que dá no estômago quando você percebe que várias mensalidades estão atrasadas e precisa fazer alguma coisa a respeito? Você não entrou na educação para ficar correndo atrás de pagamento, mas a realidade é que uma escola precisa de fluxo de caixa saudável para funcionar. Salários, contas, materiais, tudo depende dessa receita.
O problema é que do outro lado não está uma empresa inadimplente, está uma família que confiou a você a educação dos filhos. Talvez estejam passando por dificuldades financeiras, talvez simplesmente esqueceram no meio da correria. Seja qual for o motivo, você precisa cobrar, mas fazer isso mantendo a dignidade de todos os envolvidos e preservando a relação. É possível? Sim, e vou te mostrar como.
Prevenir é sempre melhor que remediar
Antes de falar sobre cobrança propriamente dita, vamos conversar sobre como evitar que os atrasos virem rotina. Porque quando você estabelece uma cultura de pontualidade desde o início, as coisas fluem muito melhor.
No momento da matrícula, deixe tudo clarinho. Data de vencimento, formas de pagamento aceitas, política de atrasos, consequências do não pagamento. Não dá para ficar na subjetividade e depois cobrar algo que nunca foi combinado. Coloque tudo isso no contrato, explique pessoalmente, tire todas as dúvidas. Transparência é fundamental.
Facilite a vida das famílias. Ofereça diferentes canais de pagamento: boleto, pix, cartão de crédito, débito automático. Quanto mais opções, menor a chance de alguém usar aquela desculpa de “ah, não consegui pagar porque só tinha essa forma”. Envie os boletos com antecedência, mande lembretes alguns dias antes do vencimento.
Valorize quem paga em dia. Pode ser um desconto para pagamento antecipado, pode ser um reconhecimento em comunicados, pode ser algum benefício extra. Quando você recompensa o comportamento desejado, as pessoas naturalmente se esforçam para mantê-lo.
Os primeiros sinais de atraso
No dia seguinte ao vencimento, já entre em contato. Isso mesmo, no dia seguinte. Não espere acumular três meses de atraso para só então tomar uma atitude. Quanto mais tempo passa, mais difícil fica resolver.
Mas atenção: esse primeiro contato deve ser leve e gentil. Pode ser um e-mail automático, uma mensagem de WhatsApp educada. Algo como: “Olá, percebemos que a mensalidade com vencimento em [data] ainda não foi compensada. Se já efetuou o pagamento, desconsidere esta mensagem. Caso contrário, pedimos que regularize para evitar encargos”.
Muitas vezes a pessoa realmente esqueceu e vai agradecer o lembrete. Outras vezes está com alguma dificuldade momentânea e esse contato abre espaço para conversar. O tom aqui é importante: você está lembrando, não acusando.
Quando o atraso persiste
Se depois de uma semana o pagamento não foi feito, aí sim você precisa entrar em contato de forma mais direta. Uma ligação telefônica costuma ser mais efetiva nesse estágio. Pergunte se está tudo bem, se houve algum problema, se recebeu os lembretes anteriores.
Esse é o momento de ouvir. Talvez a família esteja enfrentando um desemprego, uma doença, uma separação. Situações difíceis acontecem e você precisa ter sensibilidade para lidar com isso. Não significa que vai simplesmente perdoar a dívida, mas pode negociar prazos, parcelamentos, até mesmo uma redução temporária do valor em casos extremos.
Por outro lado, se a pessoa demonstra desinteresse ou falta de comprometimento, você precisa ser firme. Explique que a escola tem compromissos financeiros e que não pode sustentar inadimplência. Estabeleça um prazo final para regularização e deixe claro quais serão as consequências caso não aconteça.
O equilíbrio entre empatia e firmeza
Aqui está o pulo do gato: você pode ser compreensivo sem ser frouxo. Pode acolher as dificuldades da família sem aceitar que virem caloteiros. É uma linha tênue, mas possível de caminhar.
Nunca, em hipótese alguma, constranga a criança. Não mande recado pelo aluno, não deixe de entregar material didático, não exclua a criança de atividades por causa da inadimplência dos pais. Isso é desumano e pode até ter implicações legais. Seus tratos são com os responsáveis financeiros, não com a criança.
Documente tudo. Cada ligação feita, cada e-mail enviado, cada acordo firmado. Se o caso escalar para medidas judiciais, você vai precisar provar que tentou resolver de forma amigável antes de partir para ações mais drásticas.
Medidas mais sérias
Quando todas as tentativas de diálogo se esgotam, você precisa seguir os procedimentos legais: notificação extrajudicial, negativação de nome, ação de cobrança. Não é agradável chegar nesse ponto, mas às vezes é necessário. Uma escola não é caridade, é uma empresa que precisa ser sustentável.
Tenha um advogado especializado em direito educacional para te orientar nesses processos. Cada etapa tem procedimentos específicos que precisam ser seguidos corretamente.
Entender como cobrar mensalidade em atraso é essencial para manter sua escola saudável financeiramente sem perder a humanidade no processo. Com comunicação clara, empatia genuína e firmeza quando necessário, você consegue equilibrar essas demandas aparentemente contraditórias. No fim das contas, a maioria das famílias quer pagar, só precisa às vezes de um empurrãozinho ou de condições especiais para conseguir.
