Estresse tóxico na pandemia: veja como amenizar sintomas em crianças
04/02/2021

Um dos grandes desafios em tempos de pandemia e isolamento social imposto pela Covid-19 está no bem-estar e cuidado com crianças e adolescentes. Com a mudança brusca em suas rotinas e a necessidade de se manter em casa, fora da escola e distante dos amigos, muitos deles podem ser afetados pelo chamado estresse tóxico. Você sabe o que é?

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), existem três tipos de estresse: o positivo, o tolerável e o tóxico. O fator em comum entre eles está na capacidade da criança de lidar com episódios negativos. Isso, claro, de acordo com a maturidade e estágio de seu desenvolvimento, além do apoio dado pela família nos momentos de estresse. Mas o que diferencia o estresse tóxico dos demais?

Identificando o estresse tóxico

Quando uma ou mais situações desafiadoras se tornam frequentes e intensas, há a possibilidade de o quadro estressante se tornar tóxico e afetar todos os envolvidos no processo, principalmente crianças e jovens. Pela exposição do organismo a períodos conturbados e de nervosismo, há a elevação dos hormônios do estresse, como o cortisol e a adrenalina, na infância − é a resposta fisiológica do corpo.

Segundo especialistas, a recomendação em um cenário como esse é observar atentamente a criança ou o jovem para identificar mudanças de comportamentos e hábitos. Confirmada a possibilidade de estresse tóxico, busca-se então auxílio para encontrar soluções.

O que o estresse tóxico causa

Quando o estresse se torna tóxico, as alterações físicas provocadas por ele apresentam consequências de sobrecarga do sistema cardiovascular e riscos à construção saudável da arquitetura cerebral das crianças. 

Confira as principais consequências geradas por ele, de acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

A curto prazo: 

  • Transtornos do sono;
  • Irritabilidade;
  • Piora da imunidade;
  • Medos.

A médio e longo prazos, maior prevalência de:

  • Atrasos no desenvolvimento;
  • Transtorno de ansiedade;
  • Depressão;
  • Queda no rendimento escolar;
  • Estilo de vida pouco saudável na vida adulta.

É possível amenizar o estresse tóxico?

Em situações de possíveis sintomas que caracterizem um quadro de estresse tóxico, o grupo familiar aparece como grande aliado no controle dos impactos emocionais causados pelo isolamento social. E algumas medidas comportamentais podem contribuir para a preservação do bem-estar das crianças e dos adolescentes.

Confira abaixo algumas orientações e dicas importantes recomendadas aos pais na pandemia pelo Departamento Científico de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria:

1. Converse sobre as atividades necessárias do dia a dia, as necessidades básicas da casa, a divisão de tarefas e obrigações. Isso ajuda a organizar horários e evitar a sobrecarga a alguém.

2. Dialogue em família sobre o papel de cada adulto em dar o suporte para que o estresse não se torne tóxico aos adolescentes e às crianças.

3. Oriente os filhos de forma lúdica, com músicas, leituras e brincadeiras, a higienizar as mãos de maneira correta, espirrar com proteção, utilizar utensílios higienizados e evitar contato físico.

4. Converse com eles sobre a situação atual, com linguagem simples e adequada a cada idade, de maneira tranquila. Reforce que as medidas são de prevenção, mas que tudo ficará bem. 

5. Procure dar espaço para que adolescentes e crianças expressem sentimentos e dúvidas em um ambiente acolhedor e de apoio mútuo.

6. Mantenha a dieta e a ingestão de líquidos adequada a cada idade.

7. Intercale períodos de atividades físicas para fazerem juntos. Circuitos feitos com travesseiros e garrafas plásticas, pular corda, dançar, artes marciais, entre outros, são bons exemplos.

8. Defina horários para o uso de telas. Jogos on-line com amigos e videoconferências com os avós, por exemplo, podem ajudar a distrair as crianças de maneira saudável. 

9. Insira as crianças e adolescentes nas tarefas domésticas, respeitando a capacidade de acordo com a idade de cada um. 

10. Converse com eles para que respeitem os momentos em que adultos precisam trabalhar de forma mais concentrada. Tente sincronizar o horário com um filme ou uma atividade em que a criança não necessite de tanta supervisão.

11. Evite expô-los a conteúdos inadequados. A maioria das informações repassadas pelas mídias são direcionadas para o público adulto e cabe aos pais e responsáveis limitar o acesso a elas.